Sempre me lembro de quando eu era criança e tinha aquela doce ilusão de crescer, de que não poder fazer certas coisas era muito chato, aborrecia-me. Porque eu sou pequena demais? Quando eu crescer vou poder fazer muitas coisas. Quão tolas são as crianças que se enganam dessa maneira. Quando crescemos, é então, que percebemos que nada era como a gente imaginava.

Quando cheguei à quinta série comecei a descobrir que não era mais criança, eram tantas matérias, era tanta lição ao mesmo tempo, era tão… cansativo. Mesmo que antes eu morresse de vontade de chegar ao ginásio, só para poder ter aulas vagas e sair mais cedo que o primário. Doce engano. Se os professores eram ruins antes, agora eles eram carrascos, não que eu fosse de ficar levando bronca, pois sempre fui uma boa aluna, mas na cabeça de uma pré-adolescente.

Os colegas também não eram muito amigáveis, alguns te xingam, tiram sarro, principalmente quando não se é como as meninas mais meigas e bonitas. Foda-se eu podia dizer a todos que um dia já me magoaram daqui a alguns anos vocês vão ter um, dois, três filhos, as meninas, que logo seriam mulheres, estariam feias e acabadas e os teriam suas vidas sempre atormentadas pela mãe ou se não pelas mães de seus filhos. E não isso não é inveja, é a mais pura realidade, pois aconteceu, até mesmo com as meninas que eu andava quando tinha nove pra dez anos. E é estranho você ficar pensando como as pessoas não tem consciência e estragam sua própria vida de tal maneira. Isso quando não se envolvem com coisas piores e acabam presos ou mortos.

Mas bem voltamos à parte onde nós estávamos, a pré-adolescência também não é tão ruim assim, você também conhecerá pessoas ali as quais vai passar coisas boas e lembrar pro resto da vida ou até ser amigo pro resto da vida, amigos de verdade mesmo.

Não sei se eu sou a única estranha que me sentia deslocada em minha pré-adolescência, mas, digamos, que eu não cheguei nela muito bem. Primeiro que eu não tinha cabelo, isso mesmo, praticamente eu não tinha cabelo, por que quando eu estava na quarta série meus pais passaram a máquina dois no meu cabelo por causa dos piolhos, então quando meu cabelo começou a crescer ele ficava horrível (não que ele fique muito bom hoje, mas se eu for comparar com antes, hoje ele está mil vezes melhor) e eu lembro que ninguém mais cuidava do meu cabelo nessa época, antes sempre minha avó e minha mãe penteavam e arrumavam o meu cabelo e quando ele começou a crescer eu tive que virar sozinha, eu era uma completa perdida nisso. Mas não era só nisso que eu era uma completa perdida, na questão do vestuário eu sempre fui uma calamidade, não que na escola isso importasse muito, mas não era só na escola. Eu amava usar sandálias de plataforma, ta bom que eu tinha algumas que eram até bonitinhas, mas imagina uma menina usando uma camiseta suuuuper larga, com um cabelo horrendo cheio de creme e gel, uma calça jeans e pra combinar com todo esse lindo cenário, uma sandália plataforma. E agora me perguntam por que da camiseta super larga, simples, por que todo mundo me chamava de gorda, logo, eu me escondia nas camisetas. E talvez por tudo isso eu me sentisse tão deslocada, mas também por que eu sempre fui muito, muito, muito tímida mesmo.

Quando você chega à oitava série, sua pré-adolescência, acabou e talvez aquele sentimento de QUERO CRESCER LOGO também. No meu caso, pelo menos já havia acabado, não totalmente, mas em parte crescer logo já não era mais tão importante. Nessa época eu cheguei à parte onde eu não era só aquilo que eu era antes, mas agora tinha um adicional, eu me sentia, como o povo diria hoje em dia, uma forever alone. Eu ainda não sabia arrumar meu cabelo, nem me vestir, na verdade, eu passei a gostar de me vestir daquele jeito. Tanto é que minha mãe brigava comigo diversas vezes por causa disso, e se por acaso eu não me vestisse de uma maneira mais “decente” eu não saia com ela pra lugar nenhum, e as únicas pessoas com a qual eu saia, era com meu pai e minha mãe. Eu sempre me sentia deprimida e sozinha, não que antes eu nunca tivesse me sentido daquele jeito, mas na oitava eu me sentia assim constantemente.

Do primeiro em diante, as coisas foram melhorando, eu já não achava mais tão legal ter aulas vagas sabia que aquilo me prejudicaria, e consegui melhorar minha auto-estima e auto-imagem, aprendi a me arrumar, não aprendi muito ainda a arrumar meu cabelo, mas já conseguia disfarçar bem a feiúra dele. Passei a usar maquiagem, nada muito exagerado, nem todos os dia, não me sentia mais tão sozinha, me sentia muito mais feliz do que eu poderia imaginar que seria e me preocupar com o que seria da minha vida daqui pra frente, e ainda me preocupo por que eu ainda não decidi, sério mesmo. Apaixonei-me aos 16 e aos 17, aos 18, aos 19 pela mesma pessoa e aos 20 espero me apaixonar novamente por ela.

E pra finalizar, tudo o que eu disse até agora, não é pra ninguém ficar com pena, ou achar que é alguns tipo de futilidade eu ficar-me “lamentando”, por que eu não estou me lamentando e eu tenho plena certeza de que tem muitas pessoas que passam por dificuldades muito maiores do que eu passei, apesar de que as palavras que escrevi não contarem totalmente a minha história, por que entre esses fatos resumidos não se encontram os detalhes mais profundos, e sim apenas uma casquinha da menina que eu era (e que ainda sou), e que eu só quis demonstrar um pouco das etapas de uma vida até os 20, pra comemorar (ou não) a chegada dos meus 20 aninhos e pra dizer também que esses anos se passaram muito rápidos e que talvez eu tenha deixado de fazer algumas coisas que eu queria e deveria ter feito. E que eu melhorei em muitas coisas e aprendi muitas coisas e que sofrer é parte da vida, assim como ser feliz também é. E por último e não menos importante, se por acaso alguém me ver andando perto de casa eu, muito provavelmente, não vou estar arrumada e não vou estar nem ligando pro resto do mundo.

 

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  1. Dasty-Sama disse:

    Adorei seu post! Eu adoro posts pessoais (tenho essa mania de gostar de saber um pouco sobre a vida e os gostos de outras pessoas) e concordo com muita coisa que você disse. Já fui também uma deslocada e até agora eu sou um pouco porque tenho decididamente gostos estranhos para tudo, mesmo assim, as críticas dos outros nunca me fizeram desistir dos meus gostos, na realidade, fizeram eu gostar mais ainda. Por isso, sempre seja você mesma, nunca mude, e se for para mudar, que seja por você mesma.

    • Taisho-Chan disse:

      Com certeza, mudar pelos outros nunca vai ser mudar de verdade, pois a pessoa acaba não sendo aquilo, mas apena fingindo.
      Graças que eu aprendi cedo a ignorar algumas coisas que falavam de mim, lembro do quanto o povo falava (vulgo fazer piada) quando eu andava com cadarços de corres diferentes, ou até mesmo de all star diferente, hoje em dia vejo um mooooonte de gente fazendo isso e ninguém tá nem ai .-.
      Uma hora a gente tem que ligar menos pro mundo e dar mais valor aquilo que nós gostamos.

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